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Croácia e Bósnia de carro

Croácia e Bósnia de carro. Com mais de 4800 quilômetros de costa croata e o lindo interior da Bósnia, a viagem não poderia ser de outra forma. Além disso, os dois países são pequenos e dá para fazer roteiros incríveis; a paisagem é fantástica; a comodidade de parar em qualquer lugar e fazer os próprios horários; as rodovias bem sinalizadas e o asfalto impecável. Abaixo, quero dividir com você, uma das melhores experiências da minha vida: uma viagem pela Croácia e Bósnia, de carro.

Viagem em família

Éramos cinco: eu, meu marido (João Miguel), minha irmã (Claudia) e meus dois sobrinhos, de 21 e 17 anos (Gustavo e Guilherme). E cinco pessoas significam, pelo menos, cinco malas.

A gente precisava de um carro grande, que fosse confortável, principalmente, para quem estivesse dirigindo e que todas as malas coubessem no porta-malas. Para tanto, depois de pesquisar ainda aqui, no Brasil, chegamos à conclusão de que esse carro deveria ser um Renault Captur, que reúne todas essas características, além do melhor custo-benefício e, de quebra, aquele design francês, lindo e elegante que todo mundo conhece.

Para dirigir na Croácia

É preciso, apenas, ter a CNH válida, pelo menos, por 12 meses. Mas, João Miguel resolveu fazer uma CNH internacional, para evitar qualquer contratempo. Ao contrário do que imaginávamos, não fomos parados uma única vez numa blitz ou coisa parecida.

As estradas

As rodovias croatas e bósnias são excelentes e as principais são pedagiadas. As menores têm mão dupla. Mas são todas inteiras, sem buracos e não encontramos nenhuma em obra. A rodovia que nos levou a Dubrovnik era muito sinuosa, dessas que fazem muita gente ficar com enjoo. Mas, resistimos, bravamente.

Velocidade

A velocidade média das rodovias que pegamos era de 50, 70 e 130 km/hora. É verdade: João Miguel extrapolou, mas era para sentir o carro, que se saiu muito bem nessas estradas sinuosas – estável, inclusive, nas curvas mais fechadas e nas ultrapassagens.

Pedágio

Nas rodovias pedagiadas, a gente paga por distância percorrida. No primeiro posto de pedágio, a gente pega um comprovante e no posto seguinte é que a gente vai saber quanto custa e paga ao funcionário. Nos pedágios, os cartões de crédito são aceitos. Mas as tarifas não são altas. Nós pagamos entre 5 e 30 kunas (R$ 2,84 e R$17,01).

GPS

Para nos orientar no caminho, usamos o GPS do carro e o aplicativo Waze. E deu muito certo. Além disso, a sinalização nas estradas é bem razoável.

Abastecendo na Croácia

O preço da gasolina era 9,84 kunas, que equivalem a R$ 5,63. Para abastecer, é preciso prestar atenção nos tipos diferentes de gasolina (S90, E90, E60) e Diesel que os postos oferecem. O sistema é self-service, como na grande maioria dos postos na Europa, mas sempre encontramos um funcionário disposto a ajudar. Para o Captur, que fez 12 quilômetros por litro, na estrada, sempre abastecíamos com Euro Super Class Plus. Nós rodamos 1800 quilômetros e, de acordo com as nossas contas, gastamos entre 700 e 800 reais.

O Renault Captur

Por 18 dias, o Captur foi nosso companheiro pelas rodovias croatas e bósnias – ultrapassou com segurança, subiu e desceu as ladeiras de Dubrovnik com elegância, superou a estrada de terra para chegar a Medjugorje e, com certeza, se destacou no quesito “conforto”. O modelo era automático e ainda contava com outros itens que fazem a diferença, principalmente, quando se está viajando por estradas desconhecidas – sensor de câmera de ré, sensor de chuva, controlador de velocidade, além de multimídia, isolador acústico, ar-condicionado digital, GPS, bluetooth e outros detalhes que, certamente, contribuíram para o sucesso da nossa viagem.

O aluguel do carro

Pegamos o carro no aeroporto de Zagreb, capital da Croácia, depois que passamos por Londres e Varsóvia. O carro estava reservado e pegar as chaves na Sixt não levou mais que 3 minutos. Pagamos com cartão de crédito ainda no Brasil e, na hora de pegar o carro, foi preciso apresentar o cartão com saldo suficiente para o valor do seguro a ser bloqueado. Na entrega do carro, o cartão é desbloqueado.

Roteiro

O nosso roteiro foi o seguinte: Zagreb – Lagos de Plitvice – Zadar – Split – Hvar – Dubrovnik – Kravica Waterfall – Medjugorje – Mostar – Sarajevo – Zagreb. De Zagreb, pegamos o voo para Londres, Varsóvia e São Paulo. Destino final, Aracaju/Se.

Distâncias

Zagreb – Lagos de Plitvice: 130 km – D1 e E65

Lagos de Plitvice – Zadar: 118 km – D1 e E71

Zadar – Split: 158 km – E65 e E71

Split – Drvenik (onde pegamos a balsa): 114 km – Fizemos esse caminho porque preferimos ir pela costa e passar por Markarska. Mas poderíamos ir de Split para Hvar em 1 hora e meia, pela D116, percorrendo apenas 50 km. Esse trajeto também inclui uma balsa.

Drvenik – Sucuraj (trajeto de balsa): menos de 50 minutos

Sucuraj – Jelsa (onde nos hospedamos na ilha de Hvar): 50 km

Hvar – Dubrovnik: 207 km – Seguimos pela D116 para pegar a balsa e, em seguida, a D8. Levamos umas 6 horas para percorrer esse trajeto porque não tínhamos pressa e paramos em todos os lugares que chamavam a nossa atenção. É interessante saber que, para chegar a Dubrovnik, cruzamos a fronteira da Bósnia – entramos e saímos do país. E foi tudo muito tranquilo. Antes de viajar, ouvi falar de corrupção, que perde-se muito tempo na aduana. Mas, não ficamos mais que meia hora na fila para passar.
Dubrovnik – Kravica Waterfall, na Bósnia: 129 km. D8 até a M17.3.

Kravica Waterfalls – Medjugorje: 16 km – Pegamos a M6, R424 e R425A, para chegar a Medjugorje. Um trecho da estrada não tinha asfalto, era terra batida.

Medjugorje – Mostar: 26 km. Seguimos pela R424 para chegar a Mostar.

Mostar – Sarajevo: 129 km, pela E73/M17/M18.

Sarajevo – Zagreb: – 400 km, pela E70. O trajeto durou 6 horas – com várias paradas no caminho.

Zagreb, nosso ponto de partida

A capital croata é uma bela surpresa. Super arborizada, ela se divide em cidade alta e baixa. Embora as praias sejam o objeto de desejo, Zagreb não pode ficar de fora do roteiro turístico. Além das belezas naturais, a cidade tem 21 museus, 10 teatros, uma universidade e 350 bibliotecas. A programação cultural é vasta e o povo é muito simpático.

Lagos de Plitvice

Depois de dois dias em Zagreb, saímos cedinho em direção ao nosso primeiro destino: os Lagos de Plitvice. Os lagos consistem numa série de cascatas grandes e pequenas, em meio a florestas e lagos com água verde esmeralda, numa área de 300 quilômetros quadrados. Para visitar esse paraíso, e escolher entre as 4 trilhas diferentes, paga-se 250 kunas (aproximadamente, 142 reais).

Zadar

Dos Lagos de Plitvice, seguimos mais 118 quilômetros para Zadar, a cidade onde existe um órgão marítimo – um sistema de tubos por baixo dos degraus que ficam de frente para o mar. Com o movimento das ondas, os acordes musicais são produzidos e viram música aos ouvidos dos mais românticos.

Mas Zadar não se resume ao órgão marítimo e muito menos às suas praias. Sua história e beleza arquitetônica conquistam turistas de todos os cantos do planeta. Disputada nos séculos 12 e 13, a cidade mudou o nome para Zara, conheceu a prosperidade e enfrentou a Segunda Guerra Mundial, quando foi bombardeada. Hoje, palácios e igrejas se espalham pela cidade, tornando-a única.

Rumo a Split

Depois de Zadar, seguimos para Split, sempre pelo litoral, para apreciar a paisagem – que surpreendia a cada curva. Assim que chegamos, depois de nos acomodarmos, seguimos para o centro da cidade, onde fica a praia mais popular de Split, a praia que a população frequenta – Bacvice Beach. Era um sábado e já passava das 18:30, mas as pessoas ainda estavam lagarteando nas pedras ou se refrescando no mar. E dava a impressão de que só sairiam de lá, depois que o sol se pusesse.

No dia seguinte, escolhemos outra praia, mais sossegada e de pedras – Ovcice Beach. Pegamos a via costeira e seguimos até encontrar estacionamento. Estacionar é um grande problema, em todas as cidades pelas quais passamos. As vagas na rua têm dono e só nos resta os estacionamentos, que são escassos.

Quando o sol baixou, fomos caminhar pelo enorme e bem conservado Palácio do Imperador Diocleciano, um dos maiores atrativos da cidade. Lá, fomos surpreendidos com os festejos pelo Dia Mundial da Música.

Saímos de lá em direção ao Calçadão de Riva, oficialmente conhecido como Obala Hrvatskog Narodnog Preporoda, a orla da cidade, outro ponto turístico bastante animado, com seu calçadão de mármore e suas lindas tamareiras – endereço dos melhores bares e restaurantes da cidade.

Saímos de Split com pena…tínhamos um roteiro a cumprir e o que quer que fosse que tivesse que ficar de fora seria muito frustrante. Hvar era o nosso destino seguinte. Nesse dia, acordamos cedo para chegar a Drvenik, onde pegamos uma balsa para Sucuraj e seguimos até Jelsa, uma cidadezinha próxima a Hvar.

Hvar

A pronúncia é alguma coisa parecida com “rivar”, mas trata-se de um destino festejado na Europa, além de ser uma cidade linda, cheia de história e tesouros arquitetônicos. Hvar é uma cidade muito antiga, mais precisamente, do século 4 a.C., cercada por perfumados campos de lavanda e praias paradisíacas.

Dubrovnik

Passamos 4 dias maravilhosos em Dubrovnik, cuja história surpreende a todos: fundada no século 7, ela foi bombardeada pelas tropas iugoslavas em 1992, sendo alvo de mais de 2 mil bombas e mísseis guiados. Mais da metade das casas e monumentos foram destruídos. Mas, a União Europeia e a Unesco se uniram para recuperar a cidade e hoje ela está em pleno vigor.

Kravica Waterfalls – Bósnia e Herzegovina

De Dubrovnik, voltamos pelo mesmo caminho que viemos e entramos na Bósnia, sem problema. Com a ajuda do GPS e algumas poucas placas, chegamos ao local da cachoeira de Kravica – um dos principais cartões postais do país, parecido com os Lagos de Plitvice, mas com uma diferença: neste, é possível nadar, alugar um caiaque, fazer piquenique e outras atividades ao ar livre.

Medjugorje

Os 16 quilômetros que percorremos para chegar à cidade das aparições de Nossa Senhora foram em estrada de terra. Nada que o Renault Captur não desse conta. É que estávamos tão acostumados ao asfalto perfeito que estranhamos. Quando chegamos lá, ao meio-dia, sob uma temperatura de quase 40 graus… simplesmente, não deu para subir a íngreme colina das aparições. Fiquei muito frustrada.

Mostar

A próxima parada foi em Mostar, considerada a mais bela cidade da Bósnia e capital da região da Herzegovina. A cidade é famosa pela Ponte Velha, que foi construída no século XVI, destruída em 1993, durante a Guerra da Bósnia, e reconstruída 10 anos depois, pelo mesmo método da construção, de 500 anos atrás.

A Ponte Velha, o Palácio do Bispo, as mesquitas, a sinagoga, a igreja e o mosteiro franciscano, o antigo bazar, os museus e até residências que estão abertas à visitação são bons motivos para a permanência na cidade. Em 3 dias, é possível ver tudo e ainda curtir a atmosfera de Mostar.

Sarajevo

Por fim, depois de seguirmos pelas estradas mais lindas que já vimos, chegamos a Sarajevo. Embora a guerra tenha sido muito recente, a impressão que dá é que a população já superou o terror da guerra – impresso nas paredes dos prédios, comprovado nos muitos cemitérios espalhados pela cidade e devidamente registrado no Museu de Crimes Cometidos contra a Humanidade e Genocídio.

De Sarajevo, voltamos para Zagreb, entregamos o carro e pegamos nosso voo de volta. Viajar de carro pela Croácia e Bósnia foi uma experiência que pretendemos repetir – se possível, com o Renault Captur. Dois países lindos, de natureza exuberante, povo simpático, muita arte e história. E é sobre isso que vou falar nos próximos posts. Me aguardem!

Texto e Imagens: Jornalista Sônia Pedrosa, Blog Existe um Lugar no Mundo
Link: http://existeumlugarnomundo.com.br